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Matosinhos une-se à comunidade piscatória de Angeiras na luta contra o lixo marinho

23 Março 2023

De acordo com dados recentes, mais de 150 milhões de toneladas de plástico poluem os oceanos globais. Se a tendência se mantiver, em 2025 existirá uma tonelada de plástico para cada três toneladas de peixe, e em 2050 a quantidade de plástico ultrapassará a de peixe nos oceanos. "É um problema global", alertou Sandra Ramos, investigadora do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR).

Para combater este grave problema, a Câmara Municipal de Matosinhos, o Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental (CMIA) de Matosinhos e o CIIMAR uniram forças em torno da prevenção do lixo marítimo, um projeto que envolve diretamente a comunidade piscatória de Angeiras.

Os pescadores, sendo os primeiros a sofrerem o impacto da poluição marinha, têm papel fundamental nesta luta. O lixo no oceano, além de destruir a fauna marinha, danifica as redes de pesca e representa um desafio adicional na separação do lixo do pescado. Estima-se que o lixo marítimo tenha um impacto económico de 61,7 milhões de euros na frota pesqueira europeia.

O tema foi debatido numa reunião realizada na sede da Associação Mútua dos Armadores de Pesca de Angeiras (AMAPA), moderada por Sandra Ramos e descrita pela vereadora do Ambiente e da Transição Energética, Manuela Álvares, como "uma conversa salgada". Estiveram presentes também a presidente da união das freguesias de Perafita, Lavra e Santa Cruz do Bispo, Lurdes Queirós, e o presidente da AMAPA, Fernando Correia.

A investigadora sublinhou que 80% do lixo marinho provém da terra, enquanto os restantes 20% têm origem no mar, sendo em grande parte resultantes da atividade piscatória. A bordo das embarcações, além do lixo produzido pela atividade, é frequente o descarte de resíduos domésticos, como restos de comida, pontas de cigarros, garrafas de plástico, embalagens de vidro ou latas. "O oceano é o maior depósito de lixo do planeta, e a maior parte dele, cerca de 70%, está no fundo do mar", explicou Sandra Ramos.

Ao longo da sessão, foram discutidas as consequências do lixo marinho, incluindo a ameaça dos microplásticos, e apresentados alguns projetos europeus em discussão. Foram ainda recolhidos contributos para solucionar o problema, como a necessidade de contentores específicos para o lixo nas embarcações e em terra, bem como uma limpeza mais frequente das praias.

Esta Acão faz parte de um projeto mais amplo, que se desenrolará em várias fases, incluindo a realização de mesas redondas sobre o tema, limpezas de praia e a elaboração de um documento com os contributos da comunidade piscatória de Angeiras, que será entregue às autoridades competentes.