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O Caminho Português

O Caminho Português sempre se formou por vários itinerários, cuja multiplicidade se pode explicar pela proximidade de Portugal com a Galiza, sobretudo a norte do País. Dependendo do ponto de partida de cada peregrino, o Caminho fazia-se através de qualquer via que conduzisse a Santiago. A própria evolução urbana faz com que às principais rotas da rede viária romana e medieval, se junte uma densa malha de caminhos e ruas secundárias, que ligam entre si as diferentes localidades e que convergem à medida que se aproximam da Galiza.

Nestas várias derivações do Caminho, a ligação com o itinerário Jacobeu acaba por estar identificada por paróquias com ou capelas com orago a Santiago, altares dedicados ao apóstolo, pontes, alminhas e cruzeiros construídos ao longo dos percursos. A ligação às rotas jacobeias também se denuncia, por vezes, através da toponímia e de algumas lendas locais.

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Desde sempre, porém, verificou-se a tendência natural para aproveitar as principais estradas do território nacional. Neste sentido, um dos caminhos mais usados desde a Idade Média integrava a estrada romana que atravessava Lisboa, Santarém, Coimbra, Porto e Braga. A esta ligava-se uma outra via que de Braga seguia para Ponte de Lima, Tui, Pontevedra e Lugo. Este percurso é aquele que hoje se designa o Caminho Central, que é talvez o mais usado.

Paralelamente, os trajetos foram complementados por itinerários marítimos (diretamente relacionados com as rotas comerciais do Atlântico) que faziam dos portos de Lisboa, Aveiro, Porto, Vila do Conde e Viana do Castelo pontos de partida para a peregrinação. Os portos eram usados sobretudo por estrangeiros, por se oferecerem mais seguros e mais rápidos. É desta forma que, partindo do Porto, onde diverge do Caminho Central, surge o chamado Caminho da Costa.

Este itinerário pela linha litoral, que por norma tem como ponto de partida a cidade do Porto, passa pelos atuais concelhos de Matosinhos, Vila do Conde, Póvoa do Varzim, Esposende, Viana do Castelo, Caminha, Vila Nova de Cerveira e Valença, onde se liga aos caminhos espanhóis. O percurso surge como alternativa ao Caminho Central e ganhou relevância durante a Idade Moderna, sobretudo a partir do século XVIII, quando começou a ser usado amiúde pelas populações costeiras e pelos peregrinos que desembarcavam nos portos marítimos.

Assim, apesar das muitas alternativas e ramificações que existem em território português, pode concluir-se que existem dois itinerários mais definidos, que podemos considerar principais. Seguindo por um destes Caminhos, cabe depois a cada peregrino a decisão de percorrer sempre o mesmo trajeto ou optar por uma das suas variações, quando encontra um dos pontos de encruzilhada. Além do Caminho Central e o Caminho da Costa, o ressurgimento das peregrinações, levou ao desenho de um terceiro caminho, usado por quem parte do interior do país. Este é conhecido como o Caminho Interior e faz convergir todos os itinerários do centro e sul à cidade de Lamego. O Caminho Interior faz-se, então, a partir desta cidade que se liga a Santiago de Compostela passando por Chaves, Bragança e Ourense.

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